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quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Notre Dame de PARIS reflete a glória da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo

Notre Dame, fachada

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Quando aparece a catedral de Notre Dame, deixa todas as outras coisas de lado, mesmo a catedral de São Marcos de Veneza.

As três portas têm lindíssimas ogivas, profundas, indicando bem a espessura das paredes.

Em cada portal, ao longo de toda a espessura, existem episódios da História Sagrada esculpidos de um lado e de outro.

Imaginem que não existisse a parte de cima e a igreja fosse apenas coroada pelo balaústre que está em cima das cabeças dos reis. Daria um edifício lindo!

Agora imaginem outro edifício formado apenas por aquela grande ogiva central, depois pelas duas ogivas laterais, depois por aquelas pequenas ogivas em cima, que formam uma colunata de ogivas esguias, delicadas e entrelaçadas.

Imaginem só aquilo no chão.

Notre Dame, três entradas
Daria ou não a fachada lateral de uma igreja lindíssima?

Bem, imaginem cada uma daquelas pontas de torre transformada num oratório e posta no chão. Como seria lindo!

Porém, em Notre Dame, essas três belezas estão superpostas.

O tacto francês, para o qual o charme é mais belo que a beleza, sentiu que se ficassem isoladas, alguma coisa faltava.

Notre Dame, agulhaAtrás há um telhado e no alto dele uma flecha. É a famosa flecha de Notre Dame, que dá um fundo de leveza, graça e grandeza a essas torres que não foram acabadas.

A flecha é magnífica! A cruz no topo tem uma elegância fica sem palavras. É qualquer coisa de fantástico.

A catedral não deveria ter ficado nisso, as torres deveriam ter ido mais alto.

Mas o estilo gótico morreu ao sopro neopagão da Renascença e do Humanismo.

Por isso não se construíram as torres, e só ficaram aquelas guaritas no canto, cheias de encanto e de beleza.

Uma impressão muito agradável é o contraste entre a altura da catedral e a largura.

Ela é esguia, alta, muito mais alta do que larga.

De maneira que tendo uma boa largura não pode ser chamada de edifício frágil.

Ela é graciosa, leve, tem um quê de fortaleza incontestável. E nos fala da plenitude do espírito da Idade Média, hierático, sacral, hierárquico, ordenado, todo voltado para o que há de mais alto, em que a maior seriedade combina bem com a graça mais leve e com a delicadeza mais extrema.

Os mais belos aspectos da alma católica aparecem a todo propósito em todos os ângulos da catedral.

Há qualquer coisa da glória da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo no ar triunfal dessa catedral.


(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira. Texto sem revisão do autor).


Video: Notre Dame de Paris









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quarta-feira, 3 de agosto de 2016

A catedral e a vocação da França
“filha primogênita da Igreja”

Catedral de Rouen, Normandia, França.
Na diocese de Rouen foi recentemente martirizado um sacerdote.
Luis Dufaur
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No século XIII, ricos e pobres tinham os mesmos gostos prazeres artísticos.

Não havia de um lado o povo e do outro a classe dos entendidos de arte.

A catedral era o lar de todos, e a arte ali traduzia o pensamento de todos.

Contrariamente aos séculos XVI e XVII em que a arte pouco nos diz do pensamento profundo da França da época, a arte do século XIII, nos fornece a manifestação plena de uma civilização numa época definida da história.

A catedral medieval assume o papel dos livros.

Nela, revela-se não só o gênio do cristianismo, mas também o gênio da França.

É verdade que as ideias que tomaram forma visível nas igrejas não pertenciam só à França, mas eram patrimônio comum da Europa católica.

Porém, a França é conhecida pela sua paixão pelo universal.

Santuário de Nossa Senhora da Espinha, França
Santuário de Nossa Senhora da Espinha, França
Ela sozinha descobriu como fazer da catedral uma imagem do universo, uma súmula da história, um espelho da vida moral.

Mais ainda, a admirável ordem da lei suprema que ela impôs nessa galáxia de ideias é peculiar da França.

As catedrais de outros países, todas posteriores às francesas, não revelam um leque tão vasto de ideias tão finamente ordenado num esquema de pensamento.

Não há nada na Itália, Espanha, Alemanha ou Inglaterra que possa ser comparado com a catedral de Chartres.

Em nenhuma outra parte pode se encontrar tal riqueza de pensamento.

Quando, por fim, compreenderemos que no domínio da arte nunca a França realizou algo mais alto que suas catedrais góticas?



(Autor: Émile Mâle, “A arte religiosa na França no século XIII”, apud “The Dawson Newsletter", Summer 1993).



Video: a catedral de Chartres






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quarta-feira, 20 de julho de 2016

As catedrais medievais fruto de uma sociedade que tinha algo do Céu na Terra

Rosácea da catedral de Chartres, França
Rosácea da catedral de Chartres, França
Luis Dufaur
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A arquitetura, a arte, o ambiente, a sociedade medieval auxiliam os fiéis a terem, por assim dizer, “saudades” do Céu.

A partir de suas realizações, elas elevam as almas para algo de celestial.

“A Igreja apresentava-se habitualmente com uma aparência de Céu na Terra, de modo tal que a pessoa, ao analisá-la e contemplá-la, sentia-se convidada para ingressar numa espécie de Céu da alma nesta Terra.

“Tudo quanto é medieval, e que se orienta nessa linha — dir-se-ia a nota tônica da Idade Média —, é impregnado disso: uma sociedade que, mesmo em seus aspectos temporais, apresenta algo de celeste na Terra.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

A catedral de BURGOS: a força e a eternidade de Deus


Luis Dufaur
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As torres da Catedral de Burgos, na Espanha, têm um encanto indefinível.

São altaneiras e emulam uma com a outra para galgar o céu.

Todas as paredes da catedral são forradas de quadros que representam cenas da Escritura, ou de vidas de Santos, episódios da História da Igreja, etc.

O teto como é muito bem trabalho e bem pintado. E do mesmo modo as três naves e, no fundo, o altar mor, o púlpito, que ainda se conserva.

A pedra tem uma nobreza intrínseca, que é indefinível e vem da durabilidade, da seriedade, da força.

O trabalho feito sobre a pedra atesta melhor a capacidade não só do estatuário como do escultor.

Por exemplo, numa renda: a renda é bonita, mas uma renda de pedra, como as da catedral de Burgos são mais bonitas que as feitas em tecido ou pintadas.

Não é só o trabalho que deu: é a força e o encanto da pedra que é símbolo da força e da eternidade de Deus.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Rocamadour: gruta do judeu eremita
e santuário de Nossa Senhora

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No sudoeste da França, fica o santuário de Rocamadour. O nome significa “amante das rochas” (“roc amator”) e foi um dos grandes pontos de peregrinação na era medieval.



Segundo a tradição, o velho sininho que lá existe punha-se a tinir sozinho quando um navio estava em perigo, ou quando algum fiel em situação desesperada encomendava-se a Nossa Senhora de Rocamadour.

As ocorrências eram zelosamente anotadas e quando os beneficiados iam a Rocamadour ‒ que fica a um bom bocado de caminho de qualquer porto ‒ para pagar a promessa, conferia-se a data e a hora do voto e o tinir do sino.

A origem do mosteiro é não menos maravilhosa.


Lá viveu e morreu como eremita o judeu Zaqueu de Jericó, morto por volta de 70 d.C.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Síntese da história do vitral

Rosácea da basílica abacial de Saint-Denis, Paris
Rosácea da basílica abacial de Saint-Denis, Paris
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O vitral nasceu na Idade Média, época em que segundo o Papa Leão XIII, o espírito do Evangelho penetrava todas as instituições.

No mundo antigo o mais parecido foi o uso do alabastro, pedra translúcida rara e monocolor, mas escassa, cara e escura.

Acresce que a arquitetura antiga não suportava grandes janelas.

O vitral surgiu nos canteiros das abadias e catedrais góticas.

Ele era uma Bíblia feita de luz que ensinava, mesmo ao analfabeto, as verdades da Fé, a História Sagrada e a história dos homens.

Ele resumia todo o saber, era um espelho da vida, um apanhado do passado, do presente e do futuro.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

O universo transfigurado se concentra na catedral

Catedral São Pedro de Beauvais.
Catedral São Pedro de Beauvais.
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Entrando na catedral medieval, a primeira coisa que impressiona a alma é a sublimidade das grandes linhas verticais.

A nave da catedral de Amiens comunica uma insofismável sensação de purificação, porque a beleza pura da imponente catedral age como um sacramento.

Ali, mais uma vez, a catedral é uma imagem condensadora do universo.

Do mesmo modo que a planície ou a floresta, a catedral tem atmosfera e perfume, esplendor, crepúsculo e penumbra.

A grande rosácea da fachada olha para o sol do Ocidente na tardinha e a janela refulgindo por obra do sol parece ser o sol ele próprio desaparecendo no âmago de uma maravilhosa floresta.

Na atmosfera transfigurada da catedral a luz brilha mais intensamente que no dia e as sombras têm mais mistérios que no mundo real.

Nesse mundo transfigurado o homem se sente no coração da Jerusalém celeste e saboreia a profunda paz da cidade futura.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Catedral de ELY: símbolo da nave da Salvação

A catedral de Ely, apelidada “o navio do Fens”
A catedral de Ely, apelidada “o navio do Fens”
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A catedral de Ely (Cambridgeshire, Inglaterra) é conhecida localmente como “o navio do Fens”, devido à sua forma proeminente que se eleva acima da paisagem plana e húmida de Fens.

A primeira igreja cristã no local foi fundada por Santa Etheldreda, filha do rei de East Anglia.

Em 673, após ficar viúva de um príncipe de Northumbria , ela fundou e governou um mosteiro, onde faleceu.

A urna com suas relíquias foi centro de romarias na Idade Média.

O mosteiro original foi destruído pelas invasões nórdicas no século IX.

No século X foi erguida outra igreja, substituída pela atual catedral a partir de 1082.

A Torre Ocidental foi erigida entre 1174 e 1197 no estilo românico e mede 66 metros de altura.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Múltiplos significados, ensinamentos e simbolismos contidos nos vitrais

Jesus abencoa a Igreja e repele a Sinagoga, Saint-Denis
Jesus abencoa a Igreja e repele a Sinagoga, Saint-Denis
Luis Dufaur
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Os vitrais encerram múltiplos significados e simbolismos.

O vitral Ele nos introduz numa visão mística da Criação. Isto é que o universo é uma imagem do Criador e por meio dele o simples fiel pode se elevar até Deus.


Com efeito, a graça divina ilumina a inteligência do fiel e lhe faz ver o lado das coisas que espelha melhor a Deus.

O vitral é o exemplo dessa ação divina. Como?

A luz do sol (símbolo da graça de Deus) torna belas e admiráveis as cenas da vida e facilita subir até a fonte de tudo, o próprio astro solar, símbolo de Deus, fonte de todas as coisas.

E esta elevação é feita com grande e nobre prazer estético.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

ELY: símbolo do catolicismo para o qual olham milhões de anglicanos

Luis Dufaur
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A catedral da Santa e Indivisível Trindade de Ely foi sé da diocese desse nome, na região de Anglia Oriental (Inglaterra).

Ela foi fundada como monastério no ano 673 por santa Etheldreda, princesa saxã da região, que repousa no interior da catedral, diante do altar-mor.

A igreja original foi destruída por vikings vindos da Dinamarca no ano 870. Porém o mosteiro foi reconstruído e ali se instalou uma comunidade beneditina no ano de 970.

quarta-feira, 30 de março de 2016

A catedral, poderosa nave da Salvação

Luis Dufaur
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O artista medieval não era nem um rebelde, nem um “filósofo”, nem um precursor da Revolução.

É suficiente apresentá-lo como ele realmente era: simples, modesto e sincero.

Ele era um dócil intérprete das grandes idéias que para conseguir representar, ele engajava todo seu engenho. Era-lhe concedida pouca margem para a invenção.

A Igreja confiava à fantasia individual do artista apenas pequenas peças puramente decorativas.

Mas, ele tinha jogo livre para aplicar sua força criativa e tecer grinaldas com todas as coisas vivas para adornar a casa de Deus.

Plantas, animais, todas essas belas criaturas que suscitam curiosidade e ternura na alma da criança e do simples tomavam forma em seus dedos.

quarta-feira, 16 de março de 2016

Estilo gótico, cruzados e estadistas santos

Interior da catedral de Amiens pintado por Jules Victor Genisson (1805 – 1860).
Interior da catedral de Amiens
pintado por Jules Victor Genisson  (1805 – 1860).
Luis Dufaur
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Como Deus é grande e que coisas magníficas haveria no mundo se todos os povos tivessem correspondido à vocação providencial que receberam!

Eu penso muitas vezes nisso, quando contemplo monumentos de estilo gótico. Os gregos pensaram que construindo suas obras de arte atingiram o auge da beleza. Eles alcançaram um píncaro.

Mas que píncarozinho se comparado ao estilo gótico da Idade Média...

E ao esplendor dos vitrais, das catedrais, dos órgãos, do incenso, da liturgia católica, das pompas temporais nas grandes solenidades da Igreja Católica, nas grandes ocasiões da vida da Cristandade!

Se compararmos aqueles heroizinhos pagãos descritos por Homero com os magníficos heróis cristãos, como por exemplo Godofredo de Bouillon, o arquétipo do cruzado que conquistou Jerusalém durante a primeira Cruzada, ou Balduíno IV, o Leproso, soberano do Reino Latino de Jerusalém...

Houve povos na História que corresponderam à graça divina, nos quais a distribuição da Sagrada Eucaristia foi generalizada e frutuosa.

quarta-feira, 2 de março de 2016

O retorno do gótico

Catedral de São Patrício em New York
Catedral de São Patrício em New York
Luis Dufaur
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Desde o fim da Idade Média o gótico foi sendo sepultado no esquecimento.

Passaram a Renascença e o protestantismo, a Revolução Francesa e o liberalismo, a Revolução Industrial e o comunismo; apareceram outros estilos.

E o gótico que tinha incontestáveis belezas ficou completamente posto de lado.

No tempo do rei Luís XVI, o governo cogitou derrubar Notre-Dame de Paris para construir no seu lugar um templo de estilo grego.

Eles achavam que o grego ‒ inspirado no pagão ‒ representava melhor a dignidade da catedral de Paris.

Logo a seguir veio a Revolução Francesa que mandou decapitar as estátuas da linhagem de David, antecessores de Nosso Senhor.

Veio a revolução comunista da Commune que mandou incendiar Notre-Dame, miraculosamente salva pelo esforço do povo simples. Vieram as Guerras Mundiais...

Depois de tudo isso, eis que, das ruínas de tudo emerge um estado de alma simpático ao gótico!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Notre Dame de PARIS: igreja de uma beleza perfeita, alegria do mundo inteiro

Notre Dame de Paris





A catedral Notre Dame de Paris tem tantos aspectos e maravilhas, que eu depois de ter estado nela, eu tenho que voltar para o hotel, comer alguma coisa rápida, e fazer uma coisa que em mim é um modo de refletir: é dormir.

Eu me pergunto por que é que havia o sono no Paraíso? Se o Paraíso era tão agradável e não cansava, por que é que havia o sono no Paraíso?

Eu me pergunto às vezes se para o homem deixar todas as suas impressões, mesmo as paradisíacas, assentarem bem nele, não é preciso um período de sono, em que o homem pensativo se ordena.

Eu quis dormir depois de ter visto Notre Dame, como Adão quis dormir depois do dia primeiro do Paraíso.

Notre Dame tem o solo da seriedade e todo o desenvolvimento do maravilhoso.

Ela é fundamentalmente séria, planejada segundo os melhores ditames de uma razão calma, ponderada, fazendo uma coisa de grande voo.

Agora, em cima dessa arte e da razão, levantou-se um sonho: o edifício é um sonho. E esse sonho é o maravilhoso até nas menores coisas. Não há uma gargouille que não seja maravilhosa.

A igreja de uma beleza perfeita, alegria do mundo inteiro.